Hilda Hilst
Biografía
Poemas de Hilda
"Da Morte. Odes mínimas"
Morte, / minha irmã mais velha. / Ensina-me a dançar / neste silêncio. / A tecer o tempo / com fios de ausência. / A beber o vazio / como se fosse vinho. / Morte, / minha amante fiel. / Não me deixes só / com a vida. / Vem, / despe-me de horas, / de nomes, / de memórias. / Deixa-me nu / diante do nada. / E então, / talvez, / eu possa finalmente / descansar / na tua cama de terra.
"Do Amor"
Amar é isto: / abrir a porta / para o vento. / Deixar que entre / o frio, a noite, / o desconhecido. / É oferecer a garganta / à faca do outro. / É dizer: / 'Aqui estou. / Vulnerável. / Inteiro. / Mata-me, se quiseres. / Ou fica, / e seremos dois / na mesma ferida, / no mesmo sangue, / na mesma palavra / que nunca se diz / mas sempre se vive.' / Amar é isto: / um risco. / Um salto. / Um abismo / com asas.
"Do Desejo"
Ah, o desejo. / Como um rio dentro de mim. / Transborda. / Inunda. / Leva-me a lugares / onde não há palavras. / Apenas este silêncio / que grita. / Este vazio / que se enche de tudo. / E eu, navegante cega, / sigo a corrente. / Até onde? / Não sei. / Só sei que o rio / não tem fim. / E eu, sem remos, / sem margens, / sou apenas este fluxo, / esta sede, / este constante morrer / e renascer / na água do desejo.